Gestos premia redações sobre Zika Virus de alunos de Escolas de Referência

28/08/2018 - Redação Gestos

A Gestos realizou na última quinta-feira (23/08), no Ginásio Pernambucano, a premiação do Concurso de Redação realizado em três escolas estaduais de referência sobre a prevenção do vírus da Zika. A atividade, direcionada para alunos do 3º ano do Ensino Médio, foi realizada no primeiro semestre de 2018 pelo Espaço Saúde e Sexualidade para Jovens e Adolescentes, com financiamento da IPPF/WHR (International Planned Parenthood Federation). Receberam prêmios os três estudantes que escreveram as melhores redações sobre o tema proposto pela Gestos. A melhor redação ganhou um notebook, enquanto o segundo e terceiro lugares levaram um tablet, cada.

“Recebemos 322 redações e escolhemos as melhores de cada escola. Depois, entre estas, foram definidas a primeira, segunda e terceira colocações. Foi bem interessante acompanhar como os alunos e alunas refletiram sobre a prevenção do vírus da Zika e também de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis”, detalha Juliana Cesar, assessora de Programas da Gestos.

A premiação terá a participação do Som da Rural e do GT Ativismo Jovem da Gestos – que vão interagir com os estudantes durante a premiação.

Ao abordar o tema da Zika como uma Infecção Sexualmente Transmissível, a Gestos chamou atenção para a importância do uso da camisinha nas relações sexuais. Esse modelo de atuação entre pares (jovens falando com jovens) é um caminho que tem se mostrado bastante eficiente e pode ser levado para outras unidades educacionais.

Confira as redações premiadas:

1º Lugar: Rafael Bernardo de Carvalho (EREM Porto Digital)
Título: Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos em tempos de Zika
Texto:

“É necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam plenamente garantidos. Contudo, em pleno século XXI, são notórias irregularidades no sistema público de saúde que não asseguram direitos reprodutivos e de vida.

Em 2014 foi encontrada no Nordeste brasileiro uma virose causada pelo vírus da zika. Propagada pelos mosquitos Aedes aegypti e muriçocas, a zika se transmite também pelo sexo, uma vez que, se contaminado, o homem passa a produzir esperma também com o vírus.

Além da facilidade com que se transmite, o vírus também é de difícil diagnóstico. 80% das pessoas que tiveram zika não tiveram sintomas. O vírus pode também ocasionar diversas síndromes, como microcefalia, dilatação no ventrículo e calcificações intracranianas em fetos e crianças cujas mães estavam infectadas durante a gravidez.

Toda gestante que manifestar os sintomas da zika tem direito ao exame para detectar o vírus. Ela terá prioridade para o diagnóstico e informações sobre má-formação do feto, e se o feto estiver anencéfalo ou a gravidez puser em risco a vida da mãe, a lei permite interromper a gravidez.

O grande descaso com o saneamento básico e a falta de abastecimento contínuo de água potável encanada obrigam as pessoas a acumularem água em casa, facilitando assim a reprodução dos mosquitos transmissores da zika.

É necessário que o governo intensifique os investimentos nas áreas de saneamento básico, saúde e pesquisas, e que eduque a sociedade a usar preservativos durante o ato sexual. Assim poderemos intervir na proliferação dos mosquitos e na infecção do vírus zika”.

 

2º Lugar: Débora Nascimento da Silva (EREM Clóvis Beviláqua)
Título: Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos em tempos de Zika
Texto:

“Os direitos sexuais e reprodutivos são os direitos que garantem que toda e qualquer pessoa pode viver sua vida sexual com prazer e livre de discriminação. Porém, a relação sexual sem proteção com pessoas contaminadas pela zika, doença que recebeu destaque mundial após haver sido relacionada com numerosos casos de microcefalia em recém-nascidos, constitui um grave problema para a saúde pública brasileira.

A proliferação do mosquito depende da presença de água estacionária: vasos de flor sem areia, caixas d’água não lacradas, lixo acumulado de forma indevida, entre outros. Apesar das medidas governamentais para combatê-lo, o problema continua latente no Brasil, impulsionado pelas condições geográficas favoráveis e a falta de informações da população, principalmente em regiões remotas ou de difícil acesso.

Desta forma, faz-se necessário suprimir não apenas os focos imediatos do mosquito transmissor, mas também reduzir a chance de contrair o zika pela relação sexual, usando preservativos masculinos e femininos.

Tais fatores devem ser mitigados através de um programa nacional de saneamento básico, realizado pelo governo federal em parceria com as prefeituras municipais. Concomitantemente, cabe à sociedade civil organizada realizar palestras informacionais e projetos de conscientização, amortizando os graves efeitos causados pelo zika vírus na saúde pública.”

3º Lugar: Vitória Carolina de A. Borges (EREM Ginásio Pernambucano)
Título: Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos em tempos de Zika
Texto:

“É notório que os direitos sexuais e reprodutivos em tempos de zika são um problema que atinge diversos brasileiros, sobretudo nos grandes centros urbanos. Dentre tantos fatores relevantes para a ocorrência dessa adversidade, destacam-se a microcefalia e o uso de preservativos.

A microcefalia é uma das consequências da zika. O mosquito pode causar um conjunto de problemas nos fetos ou crianças. O distúrbio no sistema nervoso que faz com que o tamanho da cabeça seja menor que o tamanho padrão pode acontecer durante a gravidez ou se desenvolver nos primeiros anos de vida. Essa doença também pode ser ocasionada por outros fatores.

Quanto ao uso de preservativos, é recomendado que a camisinha seja sempre usada, visto que essa doença também é transmitida sexualmente, especialmente nos primeiros seis meses após a infecção. Viver com saúde e escolher se quer ou não engravidar são direitos que precisam ser respeitados.

Em suma, é importante que a sociedade esteja sempre alerta quanto aos males que o mosquito infectado com o zika pode causar. Ademais, medidas saneadoras dever ser tomadas para atenuar essa problemática e devem ser criados procedimentos mais céleres pelas autoridades competentes, como o sistema de saúde, que tem a obrigação de oferecer informações e métodos anticoncepcionais à população, entre outros.”