4ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+: Gestos defende produção de dados sobre violências
Durante a 4ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, a Gestos integrou o Grupo de Trabalho (GT) voltado à produção de dados sobre LGBTQIAPN+fobia, um eixo estratégico para compreender a dimensão das violências enfrentadas por essa população e promover ações de enfrentamento e prevenção.
Quem representou a Gestos na conferência, em Brasília, entre os dias 21 e 25 de outubro, foi Thiago Jerohan, assessore de projetos da organização. Ele levou ao evento algumas das experiências da instituição no campo da produção e análises de dados: “A Gestos produziu o primeiro levantamento da população trans e travestis acima de 50 anos no Recife, um relatório lançado em 2023, e também produziu o Índice de Estigma. Temos pensado enquanto sociedade civil como produzir esses dados e essas informações sobre a nossa população”.
Segundo dados do Atlas da Violência, entre 2014 e 2023, houve um aumento de 1.193% de casos de violência contra homossexuais e bissexuais no Brasil; de 1.111% contra mulheres trans; de 1.607% contra homens trans; e de 2.340% contra travestis. Os números evidenciam a gravidade da LGBTQIA+fobia no país e reforçam a urgência de produzir e sistematizar dados sobre essas violações.

A 4ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ foi um evento histórico de participação social na construção de políticas públicas benéficas à comunidade. O tema central da edição foi “Construindo a Política Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+”. Desde as etapas livres e estaduais, o encontro esteve dividido em quatro eixos temáticos: Enfrentamento à violência; Trabalho digno e geração de renda à população; Interseccionalidade e internacionalização; e Institucionalização da Política Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+.
Depois de um longo período marcado por retrocessos nas políticas voltadas a essa população, a conferência representou um importante momento de reconstrução e retomada do diálogo entre sociedade civil e poder público. O encontro teve como objetivo indicar caminhos para construção de políticas públicas e elaboração de diretrizes para criação do Plano Nacional de Promoção dos Direitos Humanos e da Cidadania das Pessoas LGBTQIA+.
Na avaliação de Thiago, o encontro é um instrumento para construir políticas que façam sentido nos dias de hoje. “A conferência marca esse momento de participação popular, de participação social, para construir uma nova etapa dessas políticas e olhar para elas a partir do que a gente está vivendo hoje. Conseguimos avançar na reafirmação das diversas identidades trans, das travestis, das mulheres trans, transmasculinos, não bináries, bigêneros, agêneros, gênero fluido… Todas as identidades a gente conseguiu reafirmar nesse espaço”, destaca.
