50% das pessoas vivendo com HIV no Brasil já sofreram discriminação, revela Índice de Estigma 2025
Brasília, maio de 2025 – Nesta quinta-feira, 8 de maio, foi realizado o lançamento do Índice de Estigma em Relação às Pessoas Vivendo com HIV 2025, no Auditório do Anexo I da Secretaria-Geral da Presidência da República, em Brasília, com apoio da Gestos, do consórcio de pessoas vivendo com HIV e AIDS, da UNAIDS, PUC-RS e Secretaria-Geral da Presidência da República.
Conduzido em sete capitais brasileiras — São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Recife, Brasília e Manaus —, o levantamento revela dados alarmantes sobre a persistência do estigma, da discriminação e das violações de direitos humanos que ainda impactam diretamente a vida das pessoas vivendo com HIV no país, mesmo depois de 40 anos de resposta ao HIV.
O evento reuniu representantes da sociedade civil, do governo, da academia e de organismos internacionais comprometidos com a resposta ao HIV e à AIDS no Brasil.
Acesse e baixe o sumário executivo da pesquisa: Sumário Executivo Índice de Estigma 2025
A transmissão ao vivo está disponível no link: www.gov.br/sg/stigmaindex.
Principais dados:
● 52,9% das pessoas entrevistadas já sofreram discriminação em função da sorologia ao longo da vida;
● 34,8% relataram discriminação dentro da própria família;
● 46,1% não têm certeza ou sabem que seu estado sorológico não é mantido em sigilo nos serviços de saúde;
● 13,1% foram tratadas de forma discriminatória em serviços de saúde nos últimos 12 meses;
● 29,1% demonstraram sintomas de depressão e 41,2% relataram sintomas de ansiedade relacionados ao estigma.
Em 2021, os Estados-membros das Nações Unidas adotaram um conjunto de metas ambiciosas como parte da Declaração Política aprovada na Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre AIDS, entre elas a meta 95-95-95: que 95% das pessoas que vivem com HIV conheçam seu diagnóstico; que 95% das pessoas que sabem que vivem com HIV estejam em tratamento antirretroviral; que 95% das pessoas em tratamento estejam com a carga viral suprimida.
Em 2024, o Brasil alcançou 96-82-95, duas das três metas globais para eliminação da AIDS como ameaça à saúde pública. A meta que ainda não foi alcançada, de adesão, está diretamente relacionada ao enfrentamento do estigma e da discriminação.
“Desde 1995, quando lançamos a campanha ‘O preconceito é o pior sintoma da AIDS’, a Gestos vem denunciando os impactos do estigma sobre as pessoas que vivem com HIV. São mais de três décadas de atuação e seguimos vendo como o preconceito gera sofrimento psíquico, exclusão social e afeta o autocuidado — o que explica, por exemplo, os baixos índices de testagem e adesão ao tratamento no Brasil. Essa pesquisa, construída e realizada por pessoas vivendo com HIV, é um marco importante: um instrumento de incidência política e de fortalecimento de políticas públicas que enfrentam o estigma com base em evidências e justiça social”, avalia Jô Meneses, coordenadora de educação e assistência da ONG Gestos.

A edição 2025 também inova ao incluir pela primeira vez dados sobre os efeitos das crises climáticas e da pandemia da Covid-19 no acesso à saúde das pessoas vivendo com HIV:
● 82,1% ainda não haviam recuperado sua renda familiar após eventos climáticos extremos;
● 20,5% enfrentaram dificuldades para obter medicamentos devido a esses eventos;
● 27,3% tiveram a consulta médica para acompanhamento do HIV cancelada ao menos 1 vez.
Apesar de alguns avanços, o estigma e a discriminação seguem como grandes barreiras no cotidiano das pessoas vivendo com HIV no Brasil. O estudo reforça a urgência de políticas públicas que assegurem o direito ao sigilo, promovam o acesso igualitário à saúde e combatam o preconceito em todos os espaços sociais.
“Questão de gênero, classe social, trabalho, cor, identidade e orientação sexual ainda persistem. Para acabar com a AIDS, precisamos promover um país sem estigma e discriminação – e o Índice de Estigma é uma ferramenta que traz evidências de como a discriminação atua como uma barreira para acesso a serviços”, pontua Andrea Boccardi, diretora e representante do UNAIDS Brasil.
Crédito das fotos: Vinicius Reis Ascom SGPR 2
