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Covid-19: movimentos sociais de luta contra Aids e tuberculose lançam nota conjunta

Covid-19: movimentos sociais de luta contra Aids e tuberculose lançam nota conjunta

Representantes da ANAIDS, da ART-TB, da RNP+Brasil, da RNAJVHA e da RNTTHP lançaram uma nota conjunta para expressar sua indignação com a maneira que a política de saúde está lidando com a pandemia do novo coronavírus (COVID-19). As organizações, que integram os movimentos sociais de luta contra a Aids e a tuberculose, temem que o interesse econômico e o jogo político tirem o foco do que realmente importa nesse momento tão difícil: o cuidado com as vidas – especialmente das pessoas mais vulneráveis e empobrecidas. Também trazem um alerta de que estão atentas à atuação do Governo Federal diante dessa crise, especialmente com a possível negligência em relação às pessoas que vivem com HIV/Aids e tuberculose.

“Com a saída do ministro Luiz Henrique Mandetta, a preocupação sobre como o Governo Federal agirá diante desta crise só aumenta. O presidente Jair Bolsonaro não tem respeitado as normas da OMS (Organização Mundial da Saúde) nesse período de enfrentamento, ignorando as vidas que estão sendo perdidas para o COVID-19. Trabalhamos com uma população que já sofre bastante preconceito, muito fragilizada e o que queremos é que todas as vítimas sejam tratadas com atenção e dedicação”, explica o secretário nacional de Articulação Política da RNP+Brasil e assessor de Projetos da Gestos, Jair Brandão.

Brandão reforça a cobrança de rigor científico e transparência que estes movimentos fazem ao novo ministro da Saúde, Nelson Teich, que tomou no último dia 17. “O ministro Teich deve nortear suas ações baseando-se no rigor científico e nas regras impostas pela OMS, e não em interesses políticos. As vidas dos brasileiros têm que estar em primeiro lugar. Queremos transparência dos dados e das formulações do Governo Federal, através de uma comunicação clara com a população, coisa que ainda não aconteceu desde a sua posse”, reitera Jair Brandão.

Confira a nota das entidades que compõem o Movimento de Luta contra a Aids e a Tuberculose na íntegra:

Nota Conjunta – A VIDA EM PRIMEIRO LUGAR

Os movimentos sociais de luta contra a Aids e Tuberculose, aqui representados por: ANAIDS – Articulação Nacional de Luta contra a Aids; ART-TB – Articulação Social Brasileira para o Enfrentamento da Tuberculose, RNP+Brasil – Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids, MNCP – Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, RNAJVHA – Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e Aids, RNTTHP – Rede Nacional de Mulheres Travestis e Transexuais e Homens Trans Vivendo e Convivendo com HIV/ Aids, vêm a público manifestar sua indignação pelo modo com que a política de saúde vem se constituindo em nosso país, especialmente pela insensibilidade do presidente da República que transforma a grave crise do coronavírus – Covid-19, num grande tabuleiro do jogo político e de interesses.

Nos preocupa que a busca do interesse econômico acabe por suplantar o cuidado com vidas, e que as orientações científicas, emanadas da OMS, sejam secundarizadas em meio ao adoecimento e a morte da população, especialmente a camada mais vulnerável e empobrecida.

Esperamos que essa transição, bem como as ações futuras do novo ministro, permaneçam baseadas no rigor científico e não em especulações e interesses políticos, e que sejam sintonizadas com os Direitos Humanos e a experiência comunitária, que possui história junto ao acolhimento e o vínculo com o Sistema Único de Saúde – SUS.

Conhecemos de perto a realidade da população que vive com HIV, Aids e Tuberculose, as limitações materiais, o estigma, o preconceito, a discriminação, a falta de atenção social para necessidades básicas como alimentação, moradia e trabalho. O avanço do coronavírus nestes grupos poderá reverberar nestes limitantes, gerando perda de vidas, por isto acreditamos que o momento é de ação decisiva e não de briga de egos.

Estamos atentos às ações do Governo Federal, como condutor principal da política de enfrentamento da Covid-19, sem negligenciar a atuação decisiva junto a outros problemas de saúde que continuam sem resposta satisfatória e já sofrem revezes com a diminuição de quadro funcional, de orçamento e de prioridade política.

Todas as vidas merecem atenção e dedicação. A vida de cada pessoa é importante.

16 de abril de 2020

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