Guia de Carnaval: Gestos orienta sobre prevenção e oferece testagem gratuita para HIV, sífilis e hepatites
Carnaval é tempo de alegria, mas também de cuidado. Durante a Folia de Momo, é comum o aumento do consumo de álcool e outras substâncias, assim como uma maior disposição para relações sexuais. Por isso, Gestos reforça as orientações sobre o que pode ser feito antes, durante e depois das festas para aproveitar o período com saúde, segurança e acesso a informações confiáveis.
Confira, mais abaixo, um guia de prevenção no Carnaval.
O uso da camisinha — seja externa (antes chamada de “masculina”) ou interna (antes chamada de “feminina”) — é uma das principais formas de prevenir o HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como sífilis, gonorreia, clamídia, hepatites B e C, HTLV e HPV. No entanto, existem outras estratégias de prevenção disponíveis, como as testagens, a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV), a PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV), uso de lubrificante e redução de danos no uso de álcool e outras substâncias.
A combinação dessas estratégias, considerando as necessidades e realidades de cada pessoa, amplia a proteção e contribui para uma vida sexual saudável, prazerosa e segura. Esse conjunto de métodos é conhecido como prevenção combinada.
Saiba mais sobre cada um dos métodos ao final do texto.
A Gestos desenvolve ações de orientação em prevenção e disponibiliza, com acompanhamento de enfermagem, testagem gratuita para HIV, sífilis e hepatites B e C. Os testes são rápidos, seguros e sigilosos, voltados para jovens de 13 a 29 anos. Para realizar, é necessário agendar atendimento pelos telefones (81) 3421-7670 ou (81) 98709-3999 (WhatsApp). A organização também oferta gratuitamente preservativos e gel lubrificante.
A sede da instituição fica na Rua dos Médicis, 68, na Boa Vista, centro do Recife. O funcionamento da casa é de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. A Gestos estará fechada durante o Carnaval.
A organização atua há quase 33 anos na defesa dos direitos das pessoas vivendo com HIV/AIDS, na prevenção ao HIV e a outras ISTs, além da promoção dos direitos sexuais e reprodutivos e dos direitos da população LGBTQIAPN+.
Guia de prevenção no Carnaval:
- Leve suas camisinhas para o bloco, você pode precisar.
- Mantenha em dia os testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites.
Notou corrimento, mancha, verruga ou cheiro diferente? Procure um serviço de saúde. Todas as ISTs têm tratamento.
- Transou sem camisinha, não lembra ou sofreu perfuração por algum objeto?
Você tem até 72h para iniciar a PEP (Profilaxia Pós-Exposição).
Procure uma unidade de saúde que oferta PEP:
Policlínica Agamenon Magalhães (Afogados)
Policlínica Albert Sabin (Tamarineira)
Policlínica Amaury Coutinho (Campina do Barreto)
Policlínica Arnaldo Marques (Ibura)
Policlínica Barros Lima (Casa Amarela)
Hospital Correia Picanço (Tamarineira)
Policlínica João Barros Barreto (Olinda)
SAE/CTA Jaboatão (Cavaleiro)
Ambulatório LGBT Jaboatão (Piedade)
Novo Centro de Testagem Jaboatão (Piedade)
- Se for usar injetáveis, não compartilhe seringas para evitar infecções.
- Prefira microdoses para manter a consciência e a autonomia de dizer “não” e de poder consentir quando quiser transar.
Saiba mais sobre prevenção combinada ao HIV
PEP (Profilaxia Pós-Exposição) — É um tratamento de emergência com medicamentos antirretrovirais para evitar a infecção pelo HIV após uma situação de risco, como em casos de violência sexual, sexo sem camisinha ou com rompimento e acidentes com materiais perfurocortantes ou contato direto com material biológico. Deve ser iniciada o quanto antes, idealmente nas primeiras duas horas e, no máximo, até 72 horas após a exposição. O tratamento dura 28 dias e, durante esse período, é preciso fazer acompanhamento médico e exames.
A PEP, disponível no SUS em serviços de urgência e centros de referência em IST/HIV, tem eficácia em qualquer idade se usada corretamente. Os efeitos colaterais podem incluir náusea, cansaço ou diarreia, mas geralmente são controláveis.
PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) — Inovação significativa na prevenção ao HIV, é um método de prevenção em que a pessoa toma um medicamento antirretroviral antes de ter uma possível exposição ao vírus. O objetivo é reduzir drasticamente o risco de infecção pelo HIV em relações sexuais ou no compartilhamento de seringas e agulhas. Qualquer pessoa que transa pode fazer uso de PrEP, a idade não é contraindicação. Pode ser administrada diariamente (homens e mulheres cis ou trans) ou sob demanda (homens cis e mulheres trans ou travestis que não estejam fazendo terapia com hormônios).
Quem usa PrEP pode apresentar sintomas passageiros como dor de estômago, náuseas, alteração intestinal e gases. Já o uso a longo prazo, em casos raros, pode afetar os rins e a densidade óssea. Esses efeitos costumam ser reversíveis quando a pessoa deixa de usar a medicação. O acompanhamento é o mesmo para todas as faixas etárias: consultas regulares, exames de HIV, função renal, testes para outras ISTs e aconselhamento. Atenção: a PrEP não protege contra outras ISTs.
Testagem — Testar regularmente para HIV e também outras ISTs é importante para identificar a infecção precocemente e ajudar a interromper a cadeia de transmissão. Conhecer o status sorológico também facilita a busca pelo tratamento com antirretrovirais.
Lubrificante à base de água — O uso de lubrificante à base de água também tem um papel importante na prevenção ao HIV por reduzir o atrito e diminuir o risco de lesões ou microabrasões no tecido anal e/ou vaginal. Além disso, melhora a eficácia dos preservativos (facilitando seu uso correto) e pode tornar a prática sexual mais confortável e prazerosa. Sempre verifique se o produto é mesmo à base de água, pois outras composições não têm a mesma eficácia e podem romper os preservativos.
Camisinha — Existem camisinhas externas e internas, com distribuição gratuita pelo SUS, em serviços e postos de saúde e também na sede da Gestos. Há uma enorme variedade de cores, materiais e tamanhos disponíveis no mercado. Recentemente o SUS passou a disponibilizar também preservativo texturizado.
Redução de danos — Na busca por abordagens mais abrangentes e eficazes de prevenção ao HIV e outras ISTs, a adoção de estratégias de redução de danos ao consumo de álcool e outras drogas também é um caminho promissor para minimizar os riscos associados ao uso, reconhecendo que a abstinência total pode não ser a única solução.
O álcool e as drogas podem aumentar a vulnerabilidade ao HIV porque diminuem a atenção e a capacidade de tomar decisões seguras, como, por exemplo, esquecer de usar camisinha. Pode também levar ao compartilhamento de seringas ou instrumentos cortantes. É importante, por exemplo, já deixar a camisinha separada ou combinar cuidados antes, se sabe que vai beber ou usar alguma substância. Usar álcool ou drogas não significa descuidar da saúde, com informação e apoio é possível reduzir riscos.
