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Frevo, denúncia e resistência marcam Marcha das Comunidades na AIDS 2026 em defesa do financiamento ao HIV

Frevo, denúncia e resistência marcam Marcha das Comunidades na AIDS 2026 em defesa do financiamento ao HIV

O Riocentro, no Rio de Janeiro, foi tomado pelo frevo e pela força da mobilização da sociedade civil de diversos países nesta quarta-feira, 29 de maio, durante a Marcha das Comunidades, no quarto dia da AIDS 2026, a 26ª Conferência Internacional de AIDS, que acontece no Brasil pela primeira vez. 

A marcha, apoiada pela Gestos e pela International Planned Parenthood Federation (IPPF), percorreu os corredores do pavilhão de exibição da conferência, onde ficam concentradas as principais farmacêuticas do mundo, governos e organizações, e, em cortejo, seguiu até a Global Village, levando uma provocação à comunidade internacional: “Onde está o dinheiro para a resposta à AIDS?”.

A mobilização denunciou o desfinanciamento à resposta global ao HIV e cobrou que governos, organismos internacionais e financiadores cumpram seus compromissos com o enfrentamento à epidemia. Para a sociedade civil, a redução dos recursos destinados ao HIV e à AIDS não é consequência da falta de dinheiro, mas de escolhas políticas.

Ao som de A Bagaceira Frevo Orquestra, do Rio, e com estandarte da artista pernambucana Catarina Dee Jah, centenas de ativistas, pessoas vivendo com HIV/AIDS, organizações e participantes do evento transformaram um ato político em uma celebração à vida e à resistência. 

O público desfilou com sombrinhas de frevo e cartazes com frases como “Acabem com o estigma, acabem com a guerra, financiem a resposta”, “Lenacapavir para todas as pessoas”, “Comunidades em primeiro lugar”, “Respostas lideradas pelas juventudes transformam o mundo”, “Sistemas públicos de saúde fortes são um direito humano” e “As pessoas acima do lucro, a saúde acima da guerra”.

Também foram distribuídas moedas de chocolate e cédulas falsas de 100 dólares, com mensagens no verso denunciando a crise de desvio de financiamento e a necessidade de apoio à sociedade.

A marcha também reforçou que as respostas lideradas pelas comunidades são fundamentais para a prevenção, o cuidado, o tratamento, o monitoramento social e a defesa dos direitos humanos. Sem elas, a resposta global ao HIV jamais teria alcançado os resultados construídos nas últimas décadas.

Participantes de diversos países pararam para acompanhar o cortejo, filmaram, dançaram, aplaudiram e se juntaram espontaneamente à mobilização, fazendo do protesto um dos momentos mais marcantes da programação.

“A resposta ao HIV está sofrendo um desfinanciamento crônico e extremo. Não falta dinheiro, os recursos estão sendo direcionados para outras prioridades, muitas delas incompatíveis com a promoção dos direitos humanos e da saúde. O crescimento dos investimentos em militarização é um exemplo disso. Exigimos que os recursos necessários sejam destinados à resposta ao HIV e também às comunidades, que sempre estiveram na linha de frente dessa luta”, destacou Juliana Cesar, coordenadora de Articulação Política, Relações Internacionais e Comunicação da Gestos.

Temas deste texto: AIDS 2026 - financiamento - HIV/AIDS