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Na África do Sul, Gestos realiza evento paralelo ao G20 sobre financiamento de gênero para saúde e HIV

Na África do Sul, Gestos realiza evento paralelo ao G20 sobre financiamento de gênero para saúde e HIV

Ecoando as vozes da América Latina e do Caribe e fortalecendo o diálogo com a África, a Gestos realizou, no último dia 30, em Joanesburgo, na África do Sul, um evento paralelo  à Reunião Ministerial do Grupo de Trabalho sobre Empoderamento das Mulheres do G20 para debater financiamento de gênero para saúde e HIV. 

O espaço de cooperação “Da América Latina e do Caribe à África: Um diálogo Sul–Sul sobre financiamento transformador de gênero para Saúde e HIV” reuniu cerca de 70 pessoas, entres diversos ministros, e mobilizou lideranças feministas da região para um importante diálogo com os governos e agências da ONU. 

A atividade foi realizada com IPPF Acro, Unaids, AHF e os governos do Brasil e da África do Sul, com moderação da coordenadora de Articulação Política, Relações Internacionais e Comunicação da Gestos, Juliana Cesar, e participação da ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

O evento integra o trabalho de incidência da Gestos junto ao G20, em que a organização atuou como Sherpa do C20 na edição brasileira, no ano passado, e segue no Comitê Consultivo Internacional para os processos de 2025 e 2026.

O espaço reforçou a urgência de integrar uma perspectiva de gênero sólida nas discussões sobre financiamento em saúde — incluindo o papel crítico da economia do cuidado e a necessidade urgente de superar os fatores sociais interligados da violência baseada em gênero (VBG), HIV e AIDS e os desafios aos direitos e à saúde sexual e reprodutiva.

Como lembrou Juliana em sua fala de abertura, “a igualdade de gênero não é apenas uma aspiração social; é um imperativo econômico e uma emergência de saúde”. “Além de ser a realização dos direitos humanos, o empoderamento financeiro das mulheres não é apenas bom para elas — ele redefine sistemas inteiros de proteção social, reduz o estigma, melhora os resultados de saúde pública e impulsiona o desenvolvimento”, complementou.

A sessão promoveu estrategicamente a convergência de experiências de países em desenvolvimento, incentivando políticas econômicas baseadas em direitos humanos e gênero, com foco em soluções inovadoras para as regiões mais afetadas por desigualdades em saúde e gênero.

Esse diálogo é especialmente relevante no contexto da recentemente concluída 4ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, em Sevilha, e diante da perspectiva de 6,6 milhões de novas infecções por HIV e 4,2 milhões de mortes relacionadas à AIDS nos próximos quatro anos, como resultado da crise atual de cooperação internacional para o desenvolvimento — em especial com o colapso do Pepfar, responsável por 88% do financiamento da AIDS na África.

Financiamento de gênero para saúde e HIV A igualdade de gênero é essencial para promover sociedades saudáveis e o financiamento sustentável para sistemas de saúde resilientes é, portanto, um pilar fundamental do desenvolvimento e da estabilidade econômica — um tema central na agenda do G20. 

Para embasar as discussões globais, é importante trazer perspectivas regionais das áreas mais afetadas por desigualdades em saúde e gênero, especialmente a América Latina e o Caribe e a África — regiões marcadas pela colonização, alta desigualdade, fragilidades fiscais e desafios persistentes no acesso a serviços de saúde essenciais, sobretudo para mulheres e meninas.

Além disso, nessas regiões, a violência de gênero e a AIDS são faces de uma mesma realidade, com fatores sociais e econômicos adicionais que limitam o acesso das mulheres aos serviços de saúde e criam um ciclo que aprofunda sua exclusão econômica. Mulheres e meninas representam 70% das pessoas afetadas na África Oriental e Austral, com risco até seis vezes maior para meninas de 15 a 19 anos em comparação com seus pares do sexo masculino. 

Por outro lado, como mostram as evidências, o empoderamento financeiro das mulheres é uma força transformadora que redefine sistemas inteiros de proteção social, reduz o estigma de populações marginalizadas — em especial das mulheres — e melhora os resultados de saúde pública. Em outras palavras, promove o desenvolvimento.

Temas deste texto: África - financiamento - G20 - Gênero - HIV/AIDS - Mulheres - Saúde