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AIDS 2026: Gestos apresenta três pôsteres de experiências brasileiras que reforçam protagonismo da sociedade civil na resposta ao HIV

AIDS 2026: Gestos apresenta três pôsteres de experiências brasileiras que reforçam protagonismo da sociedade civil na resposta ao HIV

Entre diversos trabalhos aprovados (confira a agenda completa aqui), a Gestos participou da AIDS 2026, no Rio de Janeiro, com a apresentação, na Global Village, de três pôsteres científicos que evidenciam a contribuição da organização para o fortalecimento das respostas ao HIV, à AIDS e à tuberculose no Brasil. 

Os trabalhos abordam temas estratégicos como o enfrentamento ao estigma relacionado ao HIV, o monitoramento liderado pela comunidade e o protagonismo juvenil na prevenção.

As apresentações reafirmaram a produção de conhecimento baseada na experiência acumulada pela Gestos, em mais de três décadas de atuação, demonstrando como iniciativas da sociedade civil podem gerar evidências capazes de influenciar políticas públicas, fortalecer direitos e ampliar o acesso à saúde.

Leis, estigma e acesso a direitos

O pôster “Entre a lei e a experiência vivida: evidências do atendimento multidisciplinar da Gestos sobre a efetividade das leis brasileiras no enfrentamento do estigma relacionado ao HIV” foi apresentado pela advogada e assessora jurídica da Gestos, Kariana Guérios.

O estudo parte da experiência do atendimento jurídico e multidisciplinar realizado pela instituição para analisar os desafios enfrentados por pessoas vivendo com HIV/AIDS no acesso aos seus direitos, apesar dos avanços da legislação brasileira.

Kariana mostrou que, embora o Brasil disponha de importantes marcos legais de proteção, obstáculos como a demora no acesso à justiça, a lentidão dos processos e o próprio estigma ainda comprometem a efetividade dessas garantias.

Ela destacou que o Brasil possui leis importantes, mas elas precisam se transformar em direitos concretos na vida das pessoas. O estigma continua produzindo barreiras sociais que muitas vezes não são reconhecidas nem pela sociedade nem pelo próprio sistema de justiça.

O trabalho também apontou a necessidade de fortalecer a educação em direitos para pessoas vivendo com HIV/AIDS, estimulando seu protagonismo, além de sensibilizar profissionais do Judiciário e da saúde para uma compreensão mais ampla dos impactos do estigma na vida cotidiana.

Monitoramento comunitário e integração entre HIV e tuberculose

O pôster “Monitoramento liderado por comunidade por meio do OneImpact Brasil (Monitora TB): liderança da sociedade civil no fortalecimento da integração entre tuberculose e HIV em um sistema universal de saúde” foi elaborado pela coordenadora de Assistência e Educação da Gestos, Jô Meneses, em parceria com Fernando Sanches, do Centro de Pesquisa em Tuberculose do Instituto de Doenças do Tórax da Universidade Federal de Rio de Janeiro (UFRJ).

O material apresentou a experiência do monitoramento liderado pela comunidade como ferramenta para identificar barreiras de acesso aos serviços de saúde, fortalecer a participação social e produzir informações que contribuam para aprimorar as respostas à tuberculose e ao HIV.

Jô destacou que a iniciativa busca ampliar a voz das pessoas diretamente afetadas pelas políticas públicas. O monitoramento permite que a própria sociedade identifique as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com tuberculose, contribua para superar essas barreiras e facilite o acesso à informação e aos serviços de saúde.

Juventude e prevenção ao HIV

Já o pôster “Ativismo Juvenil: Educação entre Pares e Prevenção do HIV” foi apresentado pela educadora social da Gestos, Islaine Oliveira. Ela compartilhou os resultados do Grupo de Trabalho Jovem de Ativismo da Gestos (GT Jovem), uma iniciativa que, há mais de dez anos, promove educação entre pares para ampliar o acesso de adolescentes e jovens às informações sobre prevenção combinada, direitos sexuais e reprodutivos e justiça reprodutiva.

Atualmente, o projeto reúne 19 educadores e educadoras jovens, que desenvolvem atividades em escolas, comunidades e outros espaços de convivência juvenil. Apenas em 2025, a iniciativa alcançou cerca de 17 mil pessoas de forma direta e indireta com ações de prevenção e promoção de direitos.

“Esses jovens vão a outros ambientes para ensinar outros jovens sobre essas ferramentas”, ressaltou Islaine.

Temas deste texto: AIDS 2026 - Direitos - GT Jovem - HIV/AIDS - Tuberculose