HIV e Envelhecimento: o que você precisa saber
O HIV muitas vezes ainda é associado apenas a pessoas mais jovens. Mas a população acima dos 60 anos também pode estar exposta, seja por relações sexuais, acidentes com material biológico (agulhas, cortes) ou situações de violência.
Os casos de HIV nessa faixa etária cresceram cerca de 400% no Brasil na última década, segundo dados do Ministério da Saúde. A desinformação e o preconceito são os principais fatores por trás desse aumento expressivo e silencioso.
O uso de preservativo é menos frequente nessa idade, o que pode aumentar o risco de transmissão. Além disso, ainda existe um certo tabu: fala-se pouco sobre sexualidade na velhice, sobretudo entre as mulheres.

Através do projeto “A AIDS Envelheceu – Prevenção ao HIV/AIDS”, a Gestos, em parceria com o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa do Recife (Comdir), lança um outro olhar sobre a temática do HIV/AIDS: o envelhecimento. O público 60+ ainda é historicamente invisibilizado nas políticas públicas de prevenção e cuidado.
O diagnóstico tardio, a desinformação e o preconceito são barreiras que precisam ser enfrentadas através do conhecimento. Aqui você vai encontrar informações seguras sobre transmissão, prevenção e cuidados.
HIV e outras ISTs não têm idade! Se ainda tem tesão, tem prevenção.
Prevenção combinada
Até pouco tempo atrás, a camisinha era a única forma de se proteger do vírus HIV, causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Mas com o passar dos anos a medicina e a farmacologia deram um salto. Hoje temos à nossa disposição uma série de tecnologias e estratégias de prevenção que, quando combinadas, garantem uma vida sexual ativa, prazerosa e 100% segura contra o HIV, independente da idade.
A Prevenção Combinada ao HIV permite unir diferentes métodos e estratégias para se proteger do HIV. Cada pessoa pode adotar os métodos e as estratégias que mais combinam com as suas próprias práticas sexuais.
Testagem
Testar regularmente para HIV e também outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) é importante para identificar a infecção precocemente e ajudar a interromper a cadeia de transmissão. Conhecer o status sorológico também facilita a busca pelo tratamento com antirretrovirais.
Camisinha
Hoje existem camisinhas externas (antes chamadas de masculinas) e internas (antes chamadas de femininas), que são distribuídas gratuitamente pelo SUS, em serviços e postos de saúde e aqui na Gestos. Há uma enorme variedade de cores, materiais e tamanhos disponíveis no mercado. Recentemente o SUS passou a disponibilizar também preservativo texturizado.
Lubrificante à base de água
O uso de lubrificante à base de água também tem um papel importante na prevenção ao HIV por reduzir o atrito e diminuir o risco de lesões ou microabrasões no tecido anal e/ou vaginal. Além disso, melhora a eficácia dos preservativos (facilitando seu uso correto) e podem tornar a prática sexual mais confortável e prazerosa.
Sempre verifique se o produto é mesmo à base de água, pois outras composições não têm a mesma eficácia e podem romper os preservativos.
Profilaxia Pré-Exposição (PrEP)
A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é uma inovação significativa na prevenção ao HIV. É um método de prevenção em que a pessoa toma um medicamento antirretroviral antes de ter uma possível exposição ao vírus. O objetivo é reduzir drasticamente o risco de adquirir HIV em relações sexuais ou no compartilhamento de seringas e agulhas.
Qualquer pessoa que transa pode fazer uso de PrEP, a idade não é contraindicação. A PrEP pode ser administrada diariamente (homens e mulheres cis ou trans) ou sob demanda (homens cis e mulheres trans ou travestis que não estejam fazendo terapia com hormônios).
Quem usa PrEP pode apresentar sintomas passageiros como dor de estômago, náuseas, alteração intestinal e gases. Já o uso a longo prazo pode afetar os rins e a densidade óssea. Esses efeitos são totalmente reversíveis quando a pessoa deixa de usar a medicação.
Como na população acima de 60 anos é comum ter outras condições de saúde (hipertensão, diabetes, problemas renais ou ósseos, uso de múltiplos medicamentos), é importante que o médico avalie a função renal antes e durante o uso, assim como a densidade óssea em pessoas com risco de osteoporose, além de observar possíveis interações medicamentosas com outros remédios de uso contínuo.
O acompanhamento é o mesmo para todas as faixas etárias: consultas regulares, exames de HIV, função renal, testes para outras ISTs e aconselhamento. Atenção: a PrEP não protege contra outras ISTs como sífilis, gonorreia e clamídia.
Profilaxia Pós-Exposição (PEP)
A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é um tratamento de emergência com medicamentos antirretrovirais para evitar a infecção pelo HIV após uma situação de risco. Deve ser iniciada o quanto antes (idealmente nas primeiras duas horas e, no máximo, até 72 horas após a exposição). O tratamento dura 28 dias e, durante esse período, é preciso fazer acompanhamento médico e exames.
A PEP, disponível no SUS em serviços de urgência e centros de referência em IST/HIV, tem eficácia em qualquer idade se usada corretamente. Assim como a PrEP, o médico avalia possíveis interações medicamentosas. Os efeitos colaterais podem incluir náusea, cansaço ou diarreia, mas geralmente são controláveis.
Redução de danos
Na busca por abordagens mais abrangentes e eficazes de prevenção ao HIV e outras ISTs, a adoção de estratégias de redução de danos ao consumo de álcool e outras drogas também é um caminho promissor para minimizar os riscos associados ao uso, reconhecendo que a abstinência total pode não ser a única solução.
O álcool e drogas podem aumentar a vulnerabilidade ao HIV porque diminuem a atenção e a capacidade de tomar decisões seguras, como, por exemplo, esquecer de usar camisinha. Pode também levar ao compartilhamento de seringas ou instrumentos cortantes e se somar a sentimentos de solidão, ansiedade ou falta de rede de apoio, comuns em algumas pessoas acima dos 60 anos.
É importante, por exemplo, já deixar a camisinha separada ou combinar cuidados antes, se sabe que vai beber ou usar alguma substância. O apoio social também é importante, através da conversa com amigos, grupos de convivência ou familiares sobre formas de se cuidar.
Usar álcool ou drogas não significa descuidar da saúde — com informação e apoio, é possível reduzir riscos.
