Gestos participa da XVI Conferência Regional sobre a Mulher de América Latina e Caribe, na Cidade do México
A Gestos esteve presente na XVI Conferência Regional sobre a Mulher de América Latina e Caribe, realizada na Cidade do México, entre os dias 12 e 15 de agosto, representada pela Assessora de Comunicação e Advocacy da organização, Júlia Galvão. O encontro, promovido pela Cepal em parceria com a ONU Mulheres, teve como tema “As transformações nos âmbitos político, econômico, social, cultural e ambiental para impulsionar a sociedade do cuidado e a igualdade de gênero”.
A cada edição, os países membros da Cepal firmam compromissos que compõem a Agenda Regional de Gênero — um guia que orienta ações para fortalecer a autonomia das mulheres, garantir direitos e promover o desenvolvimento sustentável na América Latina e no Caribe. Nesta edição, o documento central foi o Consenso de Tlatelolco.
A Gestos esteve engajada em ações de incidência política e advocacy, promovendo conversas, elaborando sugestões de redação para os parágrafos e participando de reuniões estratégicas durante a negociação do Consenso. Integrando o Comitê de Incidência da Articulação Feminista, ao lado da sociedade civil e da IPPF, a organização apresentou recomendações para fortalecer e aprimorar o documento.
O Consenso aprovou diversas medidas para a construção de sociedades do cuidado mais justas e igualitárias na América Latina e no Caribe. O texto reconhece os cuidados como um direito humano essencial, ressaltando que cuidar é tanto uma necessidade quanto um trabalho que deve ser valorizado como setor que impulsiona a economia.
Entre as aprovadas, estão:
– a criação de políticas e programas de cuidados com perspectiva interseccional e intercultural;
– o reconhecimento e a promoção do pleno exercício dos direitos sexuais e reprodutivos;
– o acesso a serviços de aborto seguros, oportunos e de qualidade nos países onde a legislação o permita e, em caso de abortos inseguros, medidas de proteção;
– a implementação de políticas fiscais progressivas e orçamentos com perspectiva de gênero;
– a criação de mecanismos inovadores de financiamento que sejam suficientes, sustentáveis e intransferíveis, voltados à redução das desigualdades de gênero.
“O trabalho de incidência da sociedade civil foi fundamental para garantir avanços nas agendas da Conferência. Os bons resultados só foram possíveis porque conseguimos articular alianças entre países progressistas, como México, Colômbia, Brasil, Chile e Uruguai, que se reuniram e lideraram a negociação de forma estratégica e comprometida.”, afirma Júlia Galvão.
A delegação do Brasil teve um papel importante ao destacar os impactos das mudanças climáticas sobre mulheres, adolescentes e meninas, especialmente afrodescendentes e indígenas, que enfrentam uma sobrecarga desproporcional de trabalho não remunerado e múltiplas formas de discriminação e violência.
Confira o o documento na íntegra: Consenso de Tlatelolco
Mais sobre a Conferência – A Conferência Regional sobre a Mulher é um órgão da Cepal e constitui o principal fórum intergovernamental das Nações Unidas na região sobre direitos das mulheres e igualdade de gênero. Realizada desde 1977, a Conferência analisa a situação das mulheres, adolescentes e meninas em toda a sua diversidade, além de apresentar recomendações em políticas públicas de igualdade de gênero em alinhamento com acordos regionais e internacionais.
Nesta edição, além do debate sobre a sociedade do cuidado e a igualdade de gênero, o evento marcou dois momentos importantes: o relançamento do Observatório de Igualdade de Gênero da América Latina e do Caribe (OIG) e o evento “Memória e Futuro”, em homenagem aos 50 anos da Primeira Conferência Mundial sobre a Mulher (Cidade do México, 1975).
Além dos Estados membros da Cepal, participaram representantes de organismos das Nações Unidas, entidades internacionais, universidades, centros acadêmicos e organizações da sociedade civil, especialmente redes e movimentos de mulheres e feministas.


