Gestos apresenta projeto “Trans pelo clima” no Fórum dos Países sobre Desenvolvimento Sustentável, no Chile

Realizado pela Gestos, o projeto “Trans pelo clima” foi apresentado nesta terça (1º) em um dos eventos paralelos a 8ª Reunião do Fórum dos Países sobre Desenvolvimento Sustentável (Foro LAC), na sede da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), em Santiago, no Chile.
A Gestos promoveu a sessão “Crises climáticas, de saúde e de direitos sexuais e reprodutivos: existem soluções para a ALC”, ao lado da Onusida (Unaids para América Latina), da Fundação de Direitos Humanos, Equidade e Gênero (Fundheg – Argentina), da Fiocruz (Brasil) e da IPPF ACRO. A assessora de comunicação e advocacy organização, Júlia Galvão, falou do projeto da instituição como parte da apresentação “Mulher trans e clima: uma experiência de incidência no Brasil”.
O Foro LAC começou no dia 31 de março e segue até esta sexta, 4 de abril. Governos da América Latina, do Caribe e de outras regiões do mundo, juntamente com sociedade civil, autoridades e especialistas do Sistema das Nações Unidas, organizações internacionais e regionais, setor privado e academia estão reunidos para analisar o progresso e os desafios relacionados à implementação da Agenda 2030 na região, cinco anos antes do prazo estabelecido para seu cumprimento.
Conheça o projeto
Pioneiro no Recife, a 16ª capital mundial mais vulnerável às crises climáticas, o projeto “Trans pelo clima” foi desenvolvido por entendermos que a crise climática afeta desproporcionalmente a população LGBTQIAPN+, em especial as mulheres trans e travestis. O cenário recifense já é preocupante por si só, mas é ainda mais grave para a população trans e travesti que vive na pobreza, sofre com o desemprego, com a discriminação nos serviços de saúde e que vive em casas muito inseguras diante das chuvas e enchentes na cidade.
No Brasil, a expectativa de vida de uma pessoa trans é de apenas 35 anos. Com muita dificuldade, conseguimos reunir um grupo de mulheres trans e travestis recifenses com mais de 50 anos para fazer um estudo sociodemográfico que identificasse, por exemplo, o valor médio da renda mensal delas correspondia a menos de um salário mínimo (58%). Para nossa surpresa, 52% deles viviam com HIV – quando a média trans no Brasil é de 33%.
Decidimos formar um grupo com aquelas mulheres trans e travestis com mais de 50 anos para identificar os desafios das mudanças climáticas e traçar estratégias transversais. Assim, ao mesmo tempo em que prestávamos apoio psicológico, realizamos sessões de formação sobre justiça climática para que elas compreendessem as suas vulnerabilidades ao clima e, a partir disso, complementamos com um curso de advocacy para que pudessem compreender os processos políticos e os espaços de decisão e, posteriormente, fazerem advocacia política e busca por direitos.
Nestes quase 32 anos de existência, a Gestos ampliou suas ações e hoje é referência na Agenda 2030, no financiamento ao desenvolvimento sustentável, nas questões de gênero e nos direitos sexuais e reprodutivos, através de um trabalho baseado na interseccionalidade e na justiça social.