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Gestos inicia formação sobre direitos e justiça em saúde sexual e reprodutiva para 100 mulheres nas 4 macrorregiões de Pernambuco

Gestos inicia formação sobre direitos e justiça em saúde sexual e reprodutiva para 100 mulheres nas 4 macrorregiões de Pernambuco

Aconteceu entre os dias 6 e 8 de agosto, no Recife, a primeira etapa da formação “Do Conhecimento à Ação: Fortalecendo Mulheres para a Defesa dos Direitos e da Justiça em Saúde Sexual e Reprodutiva em Pernambuco”, promovida pela Gestos, em parceria com a Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF), que vai passar pelas 4 macrorregiões (Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata, Agreste e Sertão) do estado para formar 100 mulheres organizadas em movimentos, redes e organizações feministas.

EmpowHER – A formação integra o EmpowHER, iniciativa global da IPPF presente em mais de 10 países, que atua para ampliar o acesso a cuidados de saúde sexual e reprodutiva (SSR), promover educação sexual e fortalecer a defesa desses direitos por meio de incidência política e Advocacy.

A ação da Gestos tem como foco ampliar o conhecimento dessas mulheres para que elas possam replicar o conteúdo aprendido no projeto em suas comunidades. A etapa de formação, que conta com 24 horas distribuídas em 3 dias de atividades, aborda temas como gênero, direitos sexuais e reprodutivos, acesso ao aborto legal, enfrentamento à violência de gênero, incidência política e Advocacy.

O projeto também promoverá a construção, com monitoramento da Gestos, de planos comunitários de ações de incidência em direitos e justiça em saúde sexual e reprodutiva para ampliar o acesso a informações e serviços de saúde, contemplando populações em vulnerabilidade, como mulheres vivendo com HIV e AIDS, mulheres cis e trans, em especial mulheres negras, e as trabalhadoras sexuais. Na etapa final, haverá um seminário com a participação de todas as integrantes para avaliação e disseminação dos resultados.

Jô Meneses, coordenadora de Assistência e Educação da Gestos que está à frente do projeto, destaca que o início da formação na Região Metropolitana do Recife foi muito positivo, reunindo mulheres vindas de Igarassu, Paulista, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Camaragibe, articuladas pelo Fórum de Mulheres de Pernambuco e pelo Movimento Nacional de Cidadãs Positivas. “Ficou nítida a necessidade de informação sobre justiça reprodutiva entre as participantes, especialmente sobre temas como violência obstétrica, menopausa e aborto, incluindo o aborto espontâneo, que muitas vezes é julgado pelos serviços de saúde da mesma forma que o aborto feito pela decisão de interromper uma gravidez”, afirma Jô.

Em um cenário nacional de retrocessos, marcado pelo avanço de pautas conservadoras, da desinformação e da violência contra mulheres cis e trans, a iniciativa acredita que é fundamental interiorizar o conhecimento e fortalecer a participação política dessas mulheres junto às suas comunidades e em espaços decisórios.

Para Jô, se mesmo na capital as participantes relataram nunca ter tido acesso a boa parte das informações trabalhadas na formação, a realidade tende a ser ainda mais desafiadora no interior do estado, onde a circulação de informações e o diálogo sobre justiça reprodutiva costumam ser mais restritos. “A gente raramente consegue ter recursos para ir nas outras regiões do estado (Zona da Mata, Agreste e Sertão), especificamente para tratar sobre os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. É muito importante levar esse projeto para além da Região Metropolitana do Recife”, pontua a coordenadora.

Como indicador do engajamento da primeira etapa, participaram da formação 28 mulheres ao longo dos três dias completos de atividades, sem nenhuma falta registrada. O encontro deu início à construção de um diagnóstico que vai subsidiar os planos comunitários de incidência política em cada região.